sábado, 7 de maio de 2011

Sorrisos na casa de banho


Em tempo de crise, de pedidos de ajuda ao FMI, de cortes e de subidas (salários e impostos respectivamente), de cintos apertados, importa aqui falar de como se consegue, como se conseguem vestir 4 filhos, quentinhos ou fresquinhos conforme o tempo, bonitos e lavados, pelo menos nos primeiros 10 minutos, e acima de tudo práticos para brincarem à vontade.

São caixas e caixas cheias de roupas, por idades, por estações do ano, por tamanhos, por género ou simplesmente encaixotadas.



 Os meus miúdos, como qualquer criança, querem acima de tudo brincar, poder ir à casa de banho e puxar as calças de elástico na cintura para cima sozinhos, enfiar um casaco com capuz e sair para a rua apanhar vento, sentarem-se no chão sem a preocupação de sujar, correrem e caírem e se rasgar a calça não haver lugar a grandes raspanetes, serem crianças simplesmente.



Claro que calças rasgadas, casacos com nódoas, blusas com as golas largas e mangas surradas não são o delírio de nenhuma mãe, nem mesmo da Mãe de todos, mas é o que acontece à roupa das crianças e mais depressa do que nós gostaríamos.
Ora a roupa está cara, pelo menos é o que se vê nas lojas, ou pelo menos naquelas lojas em que se paga a etiqueta acima de tudo, e com 4 crianças era impossível a cada estação, a cada idade, a cada género comprar um guarda roupa completo. O que se faz então? Trabalha-se em equipa, uma equipa formada por amigas, amigas que também têm crianças e  com sorte de idades diferentes.
Assim a roupa que deixa de servir à M. ou à V. ou até mesmo à A. vem parar à gaveta da Teresa, por outro lado a roupa da V. passa agora para a Julieta que por graça é roupa que já foi da M. que já passou pela Teresa, voltou para a V. e está de volta aqui a casa.
A coisa complica com os rapazes, não sei porquê têm nascido mais meninas no meu circulo de amigas do que rapazes, para o Tiago e por ser o primeiro fomos e vamos comprando, mas guardando, emprestando mas reavendo e aumentando e agora vai servindo ao João.
E como quem conta um conto acrescenta um ponto, o que nos emprestam vai sempre devolvido com mais qualquer coisa, e claro com menos aquela camisola em que um dos nossos pregou uma nódoa tão grande que já é uma vergonha devolver, mas que fica cá por casa para ser usada no quintal...



Na hora de dormir, no entanto, não há distinção entre o rosa e o azul, afinal de contas deitados nas suas caminhas a dormir um soninho descansado ninguém vê a diferença, e os pijamas sejam rosa ou azuis são vestidos consoante o tamanho em detrimento da cor.



Para a maternidade no entanto a Mãe de todos tem tido a preocupação de comprar 3 fatinhos novos para cada um deles, escolhidos com amor, aquele amor que só uma grávida sabe colocar na primeira roupinha do seu bebé mas que já falhou uma vez, não o amor da Mãe de todos, mas a roupinha, pois o João veio matulão e à ultima da hora (mesmo umas horas antes) a mala foi alterada e ele vestiu como primeira roupinha  a roupinha que o seu irmão Tiago vestiu com 1 mês!

Nós sempre fizemos assim, sem preconceitos, com humildade, com vaidades mas sem modas, e agora em tempo de crise era bom que todos pensassem que se calhar é melhor vestir a camisola que já foi do primo ou da amiga, do que ir comprar uma nova.
Em tempo de crise a economia precisa de um empurrão, mas se pudermos comprar só as calças a condizer com a t-shirt que já "herdamos" todos ganham.

As crianças são as que mais ganham, pela roupa que vestem, que acaba por ser mais do que se fossemos comprar, mas acima de tudo pela lição de vida, de partilha e de humildade.



E é por isto que quem vai à nossa casa de banho vem de lá com um sorriso.