domingo, 24 de abril de 2011

Contos à luz do petroil

Por vezes temos a sorte de participar em  momentos mágicos, e hoje foi uma dessas vezes.


O candeeiro de petrólio, aquele objecto estranho  que eu tive que explicar ao meu filho para que é que
servia, sim porque eu ainda sou do tempo em que na aldeia da minha avó não havia electricidade, aceso, o cheiro a petrólio no ar, as sombras trémulas nas paredes, as caras meias escondidas por trás de reflexos, os risos abafados pelo silêncio da penumbra, o ambiente quente de quente de calor humano, uma mesa cheia de coisas boas, coisas feitas por quem sabe e gosta, e por fim uma senhora sentada numa cadeira, uma senhora que pôs uma manta nas pernas e nos disse que ia contar umas histórias, mas fez mais do que isso.

Levou-nos a passear, andámos em florestas, bosques, aldeias e cidades, vimos lobos e raposas, meninas e senhoras, figueiras e ervas, gente boa e gente má, vimos a vida e vimos a morte, o joão ratão e a carochinha e a sra de um olho e dente só que arrepiou o Tiago, água, rios, folhas, telhados e almofadas, machadas e paus, cavalos, ovelhas, miséria, sentimos frio e calor, pena, dor, alegria, tristeza, sentimos vontade de adormecer ao som de tantas palavras e ao mesmo tempo vontade de não fechar os olhos e de ficar a ouvir toda a noite.



Por umas horas, não sei quantas, não sei se muitas se poucas, não sei que tempo passou, por momentos estivemos sentados a ouvir, escutámos e imaginámos.

Senti-me tão bem, sentada no chão, a Mãe de todos, que é de todos, com todos á sua volta, enroscados, deitados, sentados, atentos, a dormir, espantados, a mamar, a sorrir, a franzir o sebrolho, a pedir a mão quando na história entrou a senhora de um olho e dente só que arrepia.

E hoje vou dormir com a certeza que é de momentos como este que é feita uma vida feliz.



Parabéns  ao Carlos Mesquita, ao Jaal e ao Rui Boto pela iniciativa.
Obrigada Cristina Taquelim.