quarta-feira, 17 de agosto de 2011

7 anos

Já foi há 7 anos que me tornei mãe, já foi há 7 anos que vivi uma das melhores experiências da minha vida, das nossas vidas.




Relato do meu 1º parto



Estava uma noite calma, quente, com uma brisa suave. Andávamos de mão dada no jardim, riamos, namorávamos, falávamos com ele, fazíamos festinhas ... estávamos em trabalho de parto.

Foi no dia 16 de Agosto de 2004 que acordei estranha, mas bem, fui trabalhar e durante toda a tarde eu dizia que estava estranha, não tinha posição. Às 18 hora fui à preparação para o parto e pela primeira vez durante toda a gravidez pedi ao meu pai que me levasse em vez de ir a conduzir.
Estendida no colchão a relaxar e depois de ter dito como me sentia à enfermeira, oiço-a ao longe dizer: "Meninas, a Ana hoje não faz os exercícios porque está em trabalho de parto" O quê?? Estava em trabalho de parto, era assim tão claro para a enfermeira e eu não sentia nada? Sorri, senti-me grande, senti que estava a chegar a hora, senti que estava preparada.
A enfermeira Ana no final falou comigo e preparou-me. Havia tempo para voltar a casa, tomar um banho,comer qualquer coisa, avisar o marido que era hoje o dia, e com calma ir até ao hospital ( são 40 km).
Passei no trabalho do papá, avisei que ia até casa e que depois o avisava quando fosse para ir-mos, ficou nervosíssimo.
Sentada no sofá, com um banho tomado, as contracções começaram a chegar, aí já eu estava a perceber  o que se passava. Eram 21h30, o telefone tocou e  do outro lado a minha tia diz-me, sabes que hoje é a lua e é a tua lua, não tinha contado luas, mas sim, era a minha lua, sentia-o e sabia-o.

Na esplanada onde o Paulo já tinha partido 2 pratos a servir de tanto nervoso miudinho eu sentei-me e bebi uma água. Esperei que ele passa-se o serviço, tirei fotos, conversei, confirmei a quem me perguntáva, que sim, estáva na hora e ás 23h saímos para o hospital, com palmas dos clientes, com votos de boa sorte, com palavras de força, todos quiseram participar no momento.

Durante a viagem as contrações ficaram de 4 em 4 minutos, leves mas ritmadas, contadas no relógio do velho fiat uno, que o Paulo conduzia devagar e com todo o cuidado.

Estava uma noite calma, quente, com uma brisa suave. Andávamos de mão dada no jardim, riamos, namorávamos, falávamos com ele, fazíamos festinhas ... estávamos em trabalho de parto, ás voltas no jardim do hospital, queria perlongar e desfrutar do momento. Quando fiquei cansada e as contrações já eram bem fortes decidi entrar. Fui levada para o piso do bloco de partos, sentia-me nervosa mas calma, sentia-me ansiosa mas confiante, ia ser mãe pela primeira vez.

Fui observada, rapada, fiz um clister, respondi a um questionario enfim, procedimentos a mais para quem ia "apenas"  parir um filho.
O Paulo foi chamado e juntos fomos alojados numa sala de partos, os dois sozinhos. A musica estava ligada, deitaram-me na cama, colocaram-me soro e o ctg e ali disseram para eu os chamar quando precisasse, era 1h.

Lembráva-me das palavras sábias da enfermeira Ana na preparação, falámos, rimos, e ainda dormitei e quando acordei não vi o Paulo, não vi porque ele em vez de sentado no banco estáva sentado no chão, onde segundo ele estáva melhor.

As contrações apertaram e quando chegou a primeira das contrações com vontade de fazer força, respirei, respirei como tinha aprendido, como tão bem me tinham ensinado e tocámos a campainha.
Tudo se foi preparando à minha volta, material, pessoal, e quando chegou a hora fiz força, mal e fui repreendida, a enfermeira parteira era uma senhora já  com alguma idade , mas ignorei e corrigi, preferi assim, e de repente as águas rebentam, fui cortada e o meu filho, o meu primeiro filho começou a nascer. 
Ai tanto cabelo - diz o Paulo com uma cara de quem está a ver uma coisa muito estranha!
Vinha com uma circular, parei e dei tempo a cortarem o cordão e perdi a vontade de fazer força, fiquei sem saber o que fazer, afinal era o primeiro filho, mas um enfermeiro ao sinal da enfermeira parteira, injectou, o que hoje sei ser oxitocina, no meu soro e o rapaz nasceu, todo de uma vez! Eram 4h35min do dia 17 de agosto de 2004, faz hoje 7 anos, e nós chorámos de alegria, de emoção, agarrados um ao outro.

Deram-no ao Paulo, já lavado, vestido, enquanto eu era cosida e ele trouxe-o até mim e pude finalmente vê-lo bem, e juntos, os 3 escolhemos o nome para ele. Tiago Miguel, nascido a 17 de Agosto de 2004.
Agradeço à equipa, sei que eram experientes e sei que me senti em boas mãos, achei que me portei bem, achei que se portaram bem comigo, afinal era o meu primeiro filho e aquela equipa tinha-o trazido ao mundo, ou teria sido eu?

Hoje olho para trás e vejo muitas coisas a mais neste parto, vejo muito hospital, muita intervenção, mas também vejo o meu primeiro parto e vejo que correu bem e fui bem acompanhada e fui feliz na sala de parto. Hoje olho para trás e vejo que entre o meu 1ºparto e o meu 4º parto muita coisa mudou felizmente para melhor e que agora o Centro Hospital do Barlavento Algarvio é um hospital amigo dos bebés.







E enquanto escrevi. o crescido Tiago, adormeceu aqui ao meu lado, está num sono profundo, com certeza a sonhar com o dia que teve hoje. Festa, amigos, brincadeiras, bolo. balões...








E eu enquanto escrevi, fechei várias vezes os olhos, de cansada, mas feliz.

Parabéns Tiago!