quarta-feira, 1 de abril de 2015

Aviso: Este post contém linguagem obscena

- Olha mãe, é uma fodidinha!! 

- A. queres vir brincar no fodão?

- O pai hoje tá de foda.

Eu avisei! 

Era assim que o Tiago falava por volta dos 3 anos. Podia trocar quaisquer letras, mas o que fez ele? Trocou logo o D pelo G, e nós entre risos lá íamos corando quando ele dizia destas coisas em locais públicos.
Por volta dos 5 anos ainda trocava o T pelo C, não era tão grave como a outra troca. Era apenas o tarro em vez de carro.
Hoje tem 10 anos, é muito bom aluno a Português e continua a dizer "proglema" mas escreve sem problema, 

A Teresa com os 4-5 anos também tinha umas muito boas. Esta história mostra isso mesmo. O r fraco, o lh ... e ainda mais outras tantas, e hoje com 7 anos fala bem, ainda dá uns toques nos lhs mas é muito boa aluna a português. 

Agora temos o João com 5 anos. Aos 5 anos agora os meninos são avaliados no infantário por uma equipa de terapeutas para despistar problemas da fala, de comportamento, relacionais e outros. A avaliação é de cariz facultativa, mas nós aceitamos que o João fosse avaliado.
Nós sabemos que o João não diz o r bem, nós também sabemos que o lh nem sempre é bem pronunciado.

Claro está que a terapeuta detectou, e bem isso, mas o caminho era logo a terapia da fala. Como temos o exemplo da Teresa e do Tiago, que porque não foram sujeitos avaliação, também nunca foram indicados para terapia e sozinhos, connosco e com a educadora ultrapassaram esses "defeitos", nós porque já temos essas experiências, questionamos. 

Já foi muito pensado cá em casa, já foi muito falado no infantário, já pensamos que sim e já pensamos que não e agora decidimos. Com a ajuda de uma amiga que nos indicou este livro, fizemos a opção, por agora, de como pais assumirmos nós as rédeas desta questão. 
Por alguma razão sou mãe a tempo inteiro, sou mãe que fica em casa e tenho tempo e por isso podemos optar.




O gato não comeu a língua ao João, o João simplesmente precisa de tempo tal como os irmãos precisaram, e de cantar, rimar, rir e falar muito, connosco, com os manos, com os colegas, com os vizinhos e daqui a uns tempos tenho a certeza que vamos ter saudades destas conversas:

ele - oh mãe, isto é pouco
eu, aflita a servir os outros todos - João, não é nada pouco
ele - mas, mãe, é pouco?
eu já a soprar - oh João, não tens que ter medo, comes esse e depois há aqui mais se quiseres. ( o João é muito comilão e daí a minha observação)
ele- não mãe, é pouco? - já desesperado e quase a chorar

Ai, já com os pratos todos servidos, só aí, quando olhei mesmo para ele é que percebi, o João só queria saber se a carne que tinha no prato era de porco! Tive que abraçar o João, pedir-lhe desculpa mas também tive que rir!

Hoje chegou o livro cá a casa e só de folhear por alto já deu para perceber que o João é "normal" e com algum tempo nosso vai rapidamente ultrapassar estas falhas na fala.

*******Tradução das frases do Tiago
- Olha mãe, é uma formiguinha!! 

- A. queres vir brincar no fogão?

- O pai hoje tá de folga. 
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