quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Na minha cesta eu levo ...

Lembram-se do jogo que se jogava nas viagens de carro? Na minha mala eu levo...

A manhã estava chuvosa, cinzenta, apetecia ficar em casa.
Nesta mesma manhã, quando 4 estavam na escola, 1 tinha ido passear com o pai e outra dormia calmamente, tocou o telefone.
Do outro lado um recém pai, pai há 3 dias, pedia ajuda para a amamentação. "Com urgência, sim, precisamos de ajuda ainda hoje, é possível? "

Olho para a minha bebé que dormia, olho para a janela onde a chuva batia, olho para o relógio e vejo que o tempo não pára e respondo:  "Sim, claro que é possível, estou aí daqui a 2 horas. "

Na minha cesta eu levo os livros, o material didático, os folhetos, a minha experiência de mãe, as formações que fiz, os cursos que quero fazer, as horas longe dos meus filhos, a manta para a Rosa. Na minha cesta eu levo entrega, paixão, confiança, dicas, conhecimento e uma mama de crochet.

Na minha cesta eu levo as minhas mãos e o meu coração, sei que há uma mãe, um pai e um bebé que precisam disso, e vou.
Mesmo  num dia como o de hoje, chuvoso e cinzento em que só apetecia ficar em casa.

Quando olho para trás sorrio, eu levei a minha cesta com tudo o que cabe nela e trouxe nela o reconhecimento do meu trabalho.

Faço-o com graça, mas não de graça, é o meu trabalho, mas perceber que quem recebe o que levo valoriza cada palavra dita, cada gesto, cada conselho e lhe dá o devido valor, mais do que eu própria por vezes penso merecer, é muito gratificante.

Grata a todos os que me permitem trabalhar com um sorriso e o coração.