sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Vizinha do lado

É bom termos vizinhos e aproveitar essas relações, alimenta-las, ensina-las aos miúdos, rega-las de amizade para que cresçam.

A vizinha do lado chama-se Teresa, coincidência ou não tem o nome da nossa Teresa e maior coincidência ou não tem uma irmã Julieta ... tal como a nossa Teresa tem a nossa Julieta ... enfim, se calhar há coincidencias por aí ...

Mas como eu ia dizendo, a vizinha do lado, a D. Teresa, é uma senhora já com uns setenta e tal anos, gosta de conversar enquanto estende a roupa, normalmente tem grandes conversas com o pai Fura bolos, aqui não há muros altos, não há quintais tapados, não há isolamento, há sim muro baixo, rede para segurança e estendais que quase que se tocam, aqui há proximidade, e os miúdos gostam de dizer olá à D. Teresa e ela gosta de ouvir os passarinhos (como lhes chama por fazerem muito barulho parecendo passarinhos no ninho!).

O Tiago fala muito com ela, conta-lhe coisas, coisas que às vezes não são nada ou às vezes são muito, ele lá sabe o que tem para contar, e ela ouve-o, mal é certo, mas isso é da idade ...

No Natal o Tiago foi levar-lhe um prato de azevias, e de lá veio todo contente com o prato cheio de tangerinas da horta do vizinho, que se chama João e vai todos os dias para a horta, mesmo que a D. Teresa não ache bem! 





Hoje é dia de Reis, um dia que hoje em dia passa despercebido, ou não porque quando vamos buscar os miúdos à escola normalmente vêm de coroa na cabeça, como foi o caso da Teresa.

Mas enquanto os miúdos estava na escola a vizinha Teresa bateu à porta, e ainda de robe vestido toda contente, estendeu a mão com um saco de romãs, 3 romãs para os miúdos. E ali mesmo entre portas, nos contou a tradição.

Ora antigamente, sim porque já ninguém liga a isso agora, ia ela dizendo, comia-se romã no dia de Reis e guardavam-se 3 baguinhos, um por cada rei deduzo eu, embrulhados num papelinho, bem apertadinho, todo o ano para trazer dinheiro à família.





Então nós hoje comemos as romãs que a vizinha deu e depois da história explicada aos miúdos, lá embrulhamos os 3 baguinhos e agora estão na entrada de casa, pendurados, para trazer o tal dinheiro.




Bem em tempo de crise que mal há em tentar? Que a troika não sonhe que temos 3 baguinhos de romã escondidos em casa, mas depois da oferta da vizinha Teresa tínhamos que respeitar a tradição!

E claro que durante o fim de semana os miúdos lá levarão uma lembrança à D. Teresa, é simples cultivar relações!