domingo, 22 de janeiro de 2012

Um anjo no caminho!

Aproximei-me, ia devagar, e ao chegar perto, parado na encruzilhada estava um carro, um carro de luzes acesas, e de repente a porta abriu-se ... e eu tranquei as minhas ...



5h45min toca o despertador. Enquanto bebo uma caneca de café com leite, bem quente a contrastar com o frio que faz na rua, vou carregando tudo para o carro. Uma mesa de campismo, uma cadeira, o saco com os Miminhos, o placard que arranjei para fazer publicidade aos Mimalhos, mais uma manta para tapar as pernas, e quando ligo o carro não se via nada, o vidro estava gelado.

Com 3 camisolas, 2 calças, o casacão vestido, um gorro e a manta deixo a casa em silencio, todos dormem.

No caminho vou pensando como será, se estará muita gente, se vou vender alguma coisa, se valerá a pena deixar a cama quente a um domingo de madrugada e sair para o mercado.

Aproximei-me, ia devagar, e ao chegar perto, parado na encruzilhada estava um carro, um carro de luzes acesas, e de repente a porta abriu-se ... e eu tranquei as minhas ... Do carro saiu uma senhora, toda encasacada, gorro na cabeça e direita ao meu carro, chega e pergunta:

"Não sabe onde é a feira das velharias? Ando aqui perdida, cheia de medo, desde as 4 e tal ..."
"Olhe, eu vou para lá, é por aí nessa estrada, lá ao fundo, já ali!"
"Posso ir atrás de si? Passe para a frente e eu vou atrás"

E lá vou eu, a ser seguida por aquele carro que minutos antes me tinha assustado naquela encruzilhada, dentro de uma aldeia que ainda dormia.

O terreno estava salpicado de caravanas, carros, mantas no chão a marcar lugares, mesas, cadeiras, e 2 caravanas de café já a trabalhar, eram 6h30 da manhã e era noite cerrada!



Depois de conseguir arranjar um lugar para mim e para a senhora que tinha acabado de ajudar, ela pagou-me um café. Aí, à luz fraca da caravana/café conversámos.
"Ai a menina nem sabe, foi um anjo que me apareceu ao caminho, já estava pronta para voltar para casa mas nem sabia como, apanhei um grande medo, meti-me para a mata, ai que medo!! Foi um anjo!"




E pronto, montei a mesa, a cadeira e esperei que o dia nascesse, sentada no porta bagagens do carro. Aos poucos foi clareando, aos poucos os que dormiam acordaram, e começou o reboliço normal de uma feira que tem de tudo!











Aqui vende-se de tudo, velho, novo, usado, surrado, limpo, sujo, comprado (ou roubado ... isso já não sei)

Eu vendi alguma coisa, conversei, dei o meu contacto, vi gente muito diferente, vivi mais uma manhã diferente, de convívio e de experiências que marcam e que acredito que nos trazem sempre qualquer coisa de bom!