Mostrar mensagens com a etiqueta relato de parto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta relato de parto. Mostrar todas as mensagens

domingo, 9 de agosto de 2015

O parto do Zé

Pára um carro apressado à porta das urgências, a porta do passageiro abre-se, lá de dentro sai uma grávida, sopra, respira, sopra.
Senta-se numa cadeira de rodas e em grande corrida é guiada através da sala de espera cheia de gente e entra directamente na sala de triagem, ela sopra, respira. Uma jovem mulher empurra a cadeira, outra mulher entra também, a correr chega o homem que conduzia o carro, entra também e atrás vem o segurança, a reclamar que só pode entrar um acompanhante. Ela sopra, ela respira.

A cena típica de parto num filme.


Mas horas antes...

A equipa tinha sido escolhida, as parteiras, a doula e o fotografo. Os miúdos sabiam do plano, nós tínhamos um plano.

A madrugada trouxe algumas contrações, a manhã chegou quente e este era o dia. O bebé estava grande, as semanas tinham passado e se ele não decidisse, nós teríamos que decidir, mas ele decidiu  que era hora.

Com a excitação própria das crianças, os miúdos ajudaram o pai a montar a piscina, a sala ficou pronta, enquanto eu divagava pela casa e saboreava cada contração que vinha e ía. Sentada na bola rebolava, respirava cada momento, cada contração era um sinal de que não faltaria muito para conhecermos o nosso 5º bebé, e estavam cada vez mais deliciosas.

As parteiras chegaram e gostaram do que viram, por agora era tempo de esperar e de relaxar tudo estava a avançar naturalmente, sairam, voltariam daí a umas horas. Havia que aproveitar o dia e assim, depois de um almoço ligeiro com os miúdos fomos deixa-los numa avó e seguimos para a praia, caminhar na areia a dois e talvez um banho de mar parecia uma boa ideia.

Entretanto a Maria, doula, e o Pico, fotografo, já sabiam que o momento estava a chegar.

A água do mar que estava gelada, as contrações que iam ficando cada vez mais intensas e o calor que fazia , pediam que voltasse para casa e me recolhesse.

A Maria e o Pico aproveitaram  a chegada das parteiras para irem dar umas corridas com os miúdos, havia que libertar a energia e adrenalina que eles tinham dentro deles, com a emoção da chegada do bebé.

Eram já quase 6 da tarde quando fui avaliada e já havia 5 cm de dilatação. O som da água a encher a piscina era tão agradável.

Entrei na água, sentei-me e sorri, era tão bom. Que sensação tão boa. Os miúdos foram-se acomodando à volta, o Paulo esteve sempre ali, a Maria sorria, o Pico devia estar empoleirado (não dei por ele, perfeito), as parteiras iam avaliando o bebé e fazendo o seu trabalho em perfeita harmonia com o que se passava.

Estava para lá daqui, onde só vai uma mulher em trabalho de parto, para onde só vamos se nos deixarmos ir,onde as sensações de prazer e dor se tocam, onde tudo à nossa volta parece uma névoa.

As horas foram passando, as contracções apertaram e fiz força, tinha vontade de fazer muita força.
Bateram à porta, um carro a trabalhar lá fora, os meus sogros que queriam saber o que se passava. Fiquei estática, de joelhos dentro de água, e assim não dava. O Paulo foi lá fora. sossegou-os, mas o carro continuava lá. Tive que gritar que assim não conseguia. acordei do transe em que estava.


Voltei a entrar, tinha que voltar para lá, só aí o meu bebé estava seguro comigo. Consegui voltar.



Fui fazendo força, e o tempo foi passando. Saí da água e entrei várias vezes, a bolsa rompeu dentro de água, andei pela casa, mudei de posição, sentia as pernas dormentes, uma dormência que me fazia tremer, e a vontade de fazer força chegava mas o bebé não.

Os miúdos a esta altura já tinham adormecido todos à volta da piscina, à volta da mãe.

Deitada na minha cama, com o Paulo, lembro-me de uma vez pensar "porra, agora já está a doer demais, apetece-me dormir e parar com isto", porque uma mulher em trabalho de parto vai onde nunca foi, sente coisas que nunca sentiu (mesmo sendo o 5º parto), quer coisas que não sabe, tem medos que não conhece, uma mulher em trabalho de parto é um animal, e os animais às vezes também querem dormir.


Sabia o que vinha a seguir, mas como? Como é que eu ia entrar num carro, assim, com as pernas dormentes e contracções de minuto a minuto em expulsivo e fazer quase 40 km até ao hospital. Mas talvez esses quilometros e solavancos fizessem com que o bebé encaixasse melhor, talvez fossem precisos.


Com calma a Maria ajudou-me a vestir, as parteiras iam avaliando o bebé, nunca esteve em sofrimento,o Paulo foi buscar o carro e no hall de casa, todos juntos olhamo-nos e saímos para a rua.

Recordo o abraço forte que o Pico me deu, ele que ficou em casa com os miúdos, do rescue que me puseram na boca ( e a todos), do Paulo branco por descobrir que o carro não tinha gasóleo, das parteiras a arrumarem tudo para levarem com elas.

Eu estava numa espécie de filme só meu. Respirava, sabia que tinha que estar tudo bem, que eu conseguia, que nós conseguíamos.

E afinal a cena de parto não era assim tão típica de um filme.

Pára um carro apressado à porta das urgências, a porta do passageiro abre-se, lá de dentro saio eu, sopro, respiro, sopro.
Sento-me numa cadeira de rodas (pedida por mim) e em grande corrida sou guiada através da sala de espera cheia de gente e entro directamente na sala de triagem, eu sopro, respiro. Uma jovem mulher empurra a cadeira, outra mulher entra também, a correr chega o Paulo que conduzia o carro, entra também e atrás vem o segurança, a gritar que só pode entrar um acompanhante. Eu sopro, eu respiro.
As mulheres que entraram comigo eram as parteiras, que em momento algum me deixaram.

Eu entro em modo leoa, fera, animal, em modo sobrevivência.

Na sala de triagem e com esta confusão, entre sopros digo que estou em período expulsivo que só preciso parir. Peço água e não me dão. Sou levada para dentro.

Guiada por uma auxiliar chego ao piso da maternidade, e sou recebida por uma cara conhecida. Ao ver a enfermeira solto um :
- Que bom que é vê-la aqui, uma cara conhecida. Preciso da sua ajuda para parir este bebé, mais nada!

Tudo é muito rápido, na sala de parto subo para a cama, dispo-me toda, vou dizendo como foi até ali, sento-me, explico que estou com a dilatação completa, e faço força uma vez, digo que está tudo bem mas que o bebé não está na melhor posição. A outra enfermeira parteira que estava na sala observa-me e confirma que ele não está na melhor posição mas que passa, posso fazer força.

Sentada na cama, coloco a minha mão para receber o meu bebé, faço força e sinto que vai nascer, mas o Paulo ainda não estava lá, assim não! Paro, espero por ele, peço-lhe a água que me tinham negado. Bebo, faço força e o bebé começa a nascer.

Gritei para que mo dessem logo, estive provavelmente 1 minuto sem ele, mas não me calei, lembro-me de gritar muito para mo darem, o meu bebé, tinha que estar junto a mim, já!
Ele chorou e veio, aninhou-se no meu peito e já não o larguei! Era um rapaz, o nosso Zé.

Assim ficamos nas 3 horas que se seguiram. Não houve mudanças de espaço, pontos, mexidas, nem picadas.
Deixaram-nos a sós, eu, o Paulo e o Zé, nu em cima de mim, tapado no meu peito, aquecido por mim. E assim tivemos o nosso momento, aquele por que tanto esperamos, aquele que tanto idealizamos, aquele que imaginamos tão diferente.

Faz hoje um ano, à hora que escrevo faz um ano que recebemos o Zé e que aprendemos a aceitar o que nos está reservado.

Esta foi a história do Zé, a história que estava reservada para ele, para nós e nós nem sonhávamos. O Zé nasceu no hospital, 20 minutos depois de lá chegarmos, sem fotos, sem irmãos, sem água, sem doula, nasceu connosco.

A Teresa resumiu bem o que aconteceu, disse-me uns dias depois do parto, talvez por me sentir um pouco triste com tudo :
- Sabes mãe, não importa onde o bebé nasceu, importa que nasceu feliz.

E que palavras tão sábias e tão certas para uma menina de 6 anos na altura.

----------------------------------------------------------------------------------------------------------

Mas porque a família cá de casa é esta e não é outra, houve mais para contar. Tipo as gafes nos filmes, aquelas cenas em que toda a gente se desmancha a rir, mesmo estando num parto.Ou aquelas insólitas.

- A Karim, uma das parteiras, ao descarregar as coisas do carro à nossa porta, foi picada por uma abelha, resultado, passou todo o tempo com o braço direito ligado, inchado e sem o poder mexer, sentada como guardiã.

- Assim que vou a entrar na água, oiço a a pergunta da Teresa "Mãe, lavaste os pés?" Claro, o bebé não podia nascer numa piscina com água suja,

- Na altura que entro para a piscina, a Julieta sai da sala e volta, rápida, de biquini e toalha ao ombro, pronta para entrar também, claro, se isto é para dar mergulhos, ela também quer.

- O João olha para mim, e grita "Já vejo a cabecinha com cabelo!" Confesso, a minha depilação por estes dias  não era das melhores.

- Eu a vocalizar as contracções e de seguida a ser imitada pelo João. A cada uma ...

- Mais tarde, eu a vocalizar as contracções e a seguir a cada uma o ressonar da Julieta, qual orquestra afinada.

- Na altura de me vestir para ir para o hospital, entre sopros e forças, vejo a Maria ao fundo da minha cama com umas cuecas na mão "Ana, podem ser estas?" E mostra-mas de frente e de trás. Maria, doula, amiga, sempre cuidadosa, sempre atenta aos pormenores.

- A altura em que o Paulo sai para ir buscar o carro e volta a entrar em casa, branco e diz "Acho que não estava preparado para isto" Eu, encostada à parede com as pernas dormentes, olho para ele com cara de má (lembram-se que estava com contracções de minuto a minuto e 10 dedos de dilatação) e digo " O QUÊ?" E ele diz "Não temos gasóleo" Acabamos por levar o carro da Maria e ela seguiu depois no nosso, já com gasóleo.

- A rodada de rescue remedy à saída de casa. Eu, o Paulo, as parteiras e a doula, só faltou mesmo o fotografo.

- O momento em que chegados ao hospital uma das nossas parteiras ainda disse para o Paulo "podemos tentar aqui fora se quiserem" Pena que eu não ouvi, acho que tinha alinhado, a noite estava boa e quem sabe o jardim do hospital era o local perfeito.

- A enfermeira da triagem que me diz que não posso beber água "Vá por mim, é melhor para si, eu sei o que digo " Diz-me ela e eu grito " eu é que sei já é o 5º que tenho!!". Mas não me deu a água.

- A auxiliar que me levou pelos corredores, elevador e portas e conseguiu bater com a cadeira de rodas em todas as esquinas e portas. Imaginam o que isso é  para uma grávida com contracções de minuto a minuto e em período expulsivo

 - A auxiliar que me quis vestir uma bata e eu só lhe gritei "Não quero nada disso" E nua fiquei e pari!

- O Paulo que quando chegou trazia outra auxiliar atrás dele a querer a primeira roupinha do bebé, e ele só diz "não há tempo para isso, já estou a ouvi-la gritar lá dentro!"

- Eu que volto a gritar que quero água e as enfermeiras dão um pacote de compressas ao Paulo para ele me molhar os lábios. Mas como já somos prós nisto, ele encheu o pacote de água e eu emborquei-o todo de seguida! Finalmente água!

- O momento em que eu e o Paulo percebemos que nem uma máquina levamos para tirar uma primeira foto ao Zé.

Parabéns Zé, já passou um ano. Grata por nos teres ensinado tanto e mostrado que há tantas coisas que nós não controlamos.
















Fotos do trabalho de parto de João Pico

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

1 ano depois da greve, nova greve!


Esta gravidez começou atribulada, com alguns percalços mas assim que tivemos certeza que podia avançar decidimos goza-la ao máximo pois pensamos que terá sido a ultima…
As 40 semanas avançaram, umas vezes depressa outras devagar mas lá chegou a DPP. Até aí ia sentindo umas contrações, uns dias mais outros menos, umas vezes com ritmo certo e quase me faziam pensar que ia entrar em trabalho de parto mas foi sempre falso alarme.
Já estava a ficar ansiosa os dias passavam e eu sempre na expectativa de sentir o sinal de que estava prestes o nascimento da minha menina. Das outras vezes sempre entrei em TP espontâneamente e desta vez comecei a ver que tal como me tinham dito no hospital às 40 semanas, teria que ser induzido às 41. Não percebo que decisões são estas que tomam por nós, mas se escrevem no Boletim de Grávida para lá irmos às 41 semanas e não formos tenho a impressão que depois se algo corre mal nos culpam… enfim.
Assim chegou o dia 23 de Novembro, 41 semanas, e eu lá fui ao hospital.
Cheguei às 10h, não levei a mala e apresentei-me no Bloco de Partos  como quem vai apenas fazer o ctg e ver que tudo está bem e que podemos esperar … Mas não foi assim. A administrativa fez-me logo o internamento, mesmo antes de ser vista, e disse ao meu marido que fosse buscar a mala! Eu aí falei, disse que queria primeiro trocar impressões com a médica (que não é minha médica e só me tinha visto na semana anterior!)
Entrei, e a enfermeira tinha a bata e chinelos para eu vestir! E eu mais uma vez disse que queria falar com a médica porque não achava necessário ficar numa cama a soro á espera que o TP começasse, assim sem mais nem menos. A médica lá entrou, com uma estagiária e eu expliquei-lhe que queria ficar com uma boa recordação deste parto (tal como dos outros) e que podia fazer-me um toque e dar-me alguma coisa  para acelerar mas eu queria andar á vontade e se possível ainda sair do hospital e que voltaria assim que houvesse sinais de parto. Nesse momento a médica ficou comigo “atravessada” como se diz e já só me olhou de lado!! Mesmo assim mantive a minha opinião e fiz valer os meus desejos ao máximo.
Lá fui então vista, fez-me um toque e introduziu-me um Propess (fitinha com a dose mínima), depois saiu e deixou indicação á enfermeira que eu podia andar pelo piso da maternidade, com a minha roupa e fazer o ctg regularmente. Ainda teve tempo para me dizer que o meu marido podia ir para casa porque ia demorar, ao que eu respondi que sempre tínhamos enfrentado estes momentos juntos e que desta vez não ia ser diferente.
E começou aí um dia longo. Eram umas 11h30. Á volta dos elevadores e sempre a andar e decidida a ajudar o meu corpo a responder bem a esta indução não me sentei quase para nada!! Indo contra a indicação da médica que me queria só no piso 2, subi e desci as escadas do hospital várias vezes. Depois do almoço ainda fui ao bar do hospital beber café com o meu marido, que esteve SEMPRE comigo. Durante a tarde fui fazer um ctg que não acusou contrações. Foi então que me levaram para o quarto já na obstetrícia onde iria ficar depois do nascimento. Arrumei as minhas coisas, mas continuei com liberdade total.

Neste processo estive sempre com o meu marido e com outro casal que estava a passar pelo mesmo que nós, com a coincidência de também ter tido um filhote o ano passado 4 dias antes de mim!
Às 19h tomei um duche longo e quente, vesti o meu pijama e depois do jantar andámos, rimos, dançámos, fizemos ginástica enfim, tudo o que pudesse ajudar.
O ctg que fiz ás 22h já acusava algumas contrações, estava com 2 dedos de dilatação e a cueca já estáva molhada e não era xixi!

Senti que iria começar. Vesti a bata e fomos então para a sala de partos. Eram 23h Aí já me sinto em casa!!  Deixaram-nos a sós, ligámos a musica, apagámos as luzes e fui buscar a bola de pilates do hospital.
E deixei que o meu corpo e a minha bebé trabalhassem. As contrações começaram a ritmar, cada vez mais fortes e longas. Só uma vez veio a enfermeira monitorizar a bebé comigo sentada na bola, não me incomodou, não falou, não interferiu, voltou a sair.
Já eram muitas, longas, fortes e … com vontade de fazer força, e eu sentada na bola. Resolvi pedir ao meu marido para chamar a enfermeira. Ela veio. Esperou que eu fosse ao wc, esperou que eu conseguisse subir para a cama, entre uma e outra … esperou que eu a deixasse fazer o toque e … informou-me : “Está pronta!! Grande mulher!” Eram 1h30!! Eu só lhe pedi “Podemos tentar sem me cortar” E responde-me a enfermeira       “ Mas eu não a vou cortar!!” E eu a respirar, de olhos fechados e a viajar e oiço-a ao longe dizer ao meu marido “ Que controlo espectacular que ela tem!” Disse-me que quando quisesse podia começar a fazer força e saiu para ir buscar a bata!! Ai o que foi ela dizer!
Mais uma contração e a bolsa explodiu!! Mais outra e fiz força (sozinha com o meu marido). Mais outra e força e ele diz-me “Não faças força que eu não sei o que fazer!!” Ri-me e mandei chamar porque ela ia nascer.
Quando entraram eu estava sentada na cama e a enfermeira vê a cabeça da minha bebé!!! “Ponha as pernas aqui” (nas perneiras)  e eu respondo “Já não consigo” e nisto faço força uma vez e a minha Julieta nasceu, era 1h48m!! Para cima da cama, sem intervenção quase nenhuma da parteira!!
Puseram-na em cima de mim e assim ficou durante uns 40 min. Eu cortei o cordão depois deste parar de pulsar, dei-lhe de mamar e fiz-lhe muitos miminhos. Só quando eu fui para o recobro é que  ela ficou com o meu marido a ser vestida e limpa.
Foi o meu 4º parto hospitalar, e foi um parto lindo.
Sem soro, sem toques desnecessários, sem clisteres, sem ctg (no trabalho de parto), sem epidural, sem corte (3 pontinhos no final), e com o meu marido sempre comigo.
Consegui transformar um parto induzido, e um mau começo com a dra, num parto lindo e muito á minha maneira, senti que estava no comando da situação e que estava a ser respeitada como mãe e mulher.
Com este relato tão extenso espero passar a mensagem que um parto hospitalar pode ser perfeito, e que está nas nossas mãos transforma-lo num momento lindo cheio de amor.
Falta só dizer que as enfermeiras estavam de greve!!! (e que com esta foto posso ter graves problemas! Incentivo à greve e uma mama, mama essa que não pertence a uma top model bem produzida e provocante, porque aí não haveria qualquer problema ... mas sendo que é uma mama de uma mãe que acabou de parir ... prevejo algum tipo de censura, e já não era a primeira vez que uma mama da Mãe de todos era censurada, a internet tem destas hipocrisias!)

OBRIGADA A TODA A EQUIPA DE ENFERMAGEM
Ana e Paulo Custódio e rebentos Tiago (17/08/2004) , Teresa (13/09/2007),  João (8/07/2009) e Julieta (24/11/2010) todos bebés CHBA


Nascida em dia de greve, ao sabor dos serviços mínimos do hospital, por sinal suficientes, assim nasceu a nossa Julieta, e hoje houve greve novamente, será que vai ter sorte e passa a ter greve todos s anos para poder festejar à vontade? E será que para além do dia livre para festejar a greve dará frutos?


  


E depois de um parto há que recuperar... o pai Fura bolos claro, que a Mãe de todos estava fresca e fofa!

Parabéns Julieta pelo teu primeiro aniversário!

domingo, 18 de setembro de 2011

4 anos de Teresa


Enquanto espera pode sentar-se ali. Disse o sr que nos estava a vender uma máquina de lavar loiça quando reparou que eu mal conseguia estar de pé. Mas a minha resposta foi : o problema não é eu estar de pé mas as contrações que tenho e não sei se não tenho que ir daqui directa para o hospital.

Foi durante a tarde de 11 de setembro que decidimos ir comprar uma máquina nova porque e nossa tinha arrumado as luvas e deixado de lavar. As contrações começaram mas ainda com grandes e irregulares intervalos, sabíamos que podia ser a qualquer momento por isso não era de estranhar.

Nessa noite deixamos o Tiago na avó e fomos passear, elas vinham e iam e estavam a começar a acertar passo. Fomos até Lagos, aproveitámos para passear nas ruas, ver a agitação de quem está de férias. Sentámo-nos num bar o pai Fura bolos pediu uma cerveja e eu uma água.
Pague-se já.
Deixe estar paga no fim.
É melhor ficar já pago - insistiu o pai Fura bolos - nunca se sabe se não temos que sair de repente!

Olhando para o relógio vimos que as contrações estavam a abrandar e a espaçar mais.
Falso trabalho de parto, quando recomeçar já não volta a trás - palavras sábias e certeiras que a enf Ana me enviou por sms, e lá voltamos para casa à espera do recomeço.


Depois de jantar uma comida bem picante no restaurante chinês, beber café numa esplanada com a família, mais uma vez as contrações abrandaram e voltamos para casa. Deitei-me cansada enquanto o pai Fura bolos tratava do Tiago e o punha na cama mas mal o pequenote se tinha deitado e eu tinha pegado no sono e senti uma guinada, foi de repente, levantei-me, corri para a casa de banho e ri, ri muito porque as águas tinham rebentado e era a minha primeira vez, a minha segunda vez em trabalho de parto mas a minha primeira vez com águas rebentadas. Há sempre uma primeira vez para tudo.

Toca a levantar o Tiago e ir leva-lo aos avós e informar que desta era de vez, que sim, era verdade e que íamos para o hospital.
Houve tempo para as fotos de exterior, e de interior.





Deitada e ligada ao ctg  lá me deixaram na sala de partos, a mim, ao pai Fura bolos e à nossa menina que com tudo isto já devia estar cansada. Foram algumas horas, custaram a passar porque simplesmente nada acontecia. as contrações que eu tinha de 7 em 7 minutos quando dei entrada desapareceram e deram lugar a umas muito fracas e muito espaçadas. Definitivamente a posição deitada não é a melhor para o trabalho de parto.

Tive direito a um chá açucarado e apesar de não gostar de chá este soube-me como a melhor bebida do mundo, tal não era a minha fome e sede. O pai Fura bolos foi "obrigado" a ir tomar o pequeno almoço, por insistência da enfermeira que muito bem o avisou que tinha que estar bem para me poder ajudar.

Como é que se vai chamar a menina? perguntou uma enfermeira que queria ir já escrevendo o nome na pulseirinha. Não sabemos ainda, foi a nossa resposta pronta, e não sabíamos mesmo.
Já de manhã vieram por-me oxitocina no soro para acelerar e ao contrário do que me disseram, as contrações apareceram de repente e bem fortes e rapidamente eu estava a chamar as enfermeiras porque sentia que estava pronta. Demorei uma hora e pouco a passar de 3 dedos de dilatação para 8.



Como é que ela consegue.
Ai eu quando tiver filhos tem que ser com epidural.
Que coragem, eu não conseguia.
Isto era o que eu ia ouvindo das enfermeiras, todas mais novinhas que eu e sem filhos e por isso estavam muito impressionadas com o meu controlo no momento de expulsão.
Com a grande ajuda e encorajamento do pai Fura bolos, e as palavras da enfermeira Ana na minha cabeça fiz força às 11h35 ela nasceu. Grande, com tamanho para o nome que o Tiago tinha sugerido, mas que nós achávamos muito pesado, e no dia 13, assim a escolha foi fácil, olhamos para ela e chamamos-lhe Teresa Margarida.



Foram dois dias de trabalho de parto, entre o falso e o verdadeiro, mas não foram horas dolorosas, foram passadas em ambientes onde me sentia bem, onde queria estar, com quem queria estar, a fazer o que me apetecia, a preparar a chegada da nossa filha, a mana do Tiago.

Assim nasceu a Teresa e assim o Tiago se tornou no mano crescido.


1


2


 3



1, 2, 3, a Teresa este ano teve direito a 3 bolos. O primeiro feito pela Mãe de todos para ela levar para a escolinha. O segundo trazido cá a casa nesse mesmo dia por amigos para lancharmos. O terceiro feito também pela Mãe de todos para a festa que tivemos cá em casa hoje, a festa da minha bebé que já fez 4 anos e já está tão crescida.





quarta-feira, 17 de agosto de 2011

7 anos

Já foi há 7 anos que me tornei mãe, já foi há 7 anos que vivi uma das melhores experiências da minha vida, das nossas vidas.




Relato do meu 1º parto



Estava uma noite calma, quente, com uma brisa suave. Andávamos de mão dada no jardim, riamos, namorávamos, falávamos com ele, fazíamos festinhas ... estávamos em trabalho de parto.

Foi no dia 16 de Agosto de 2004 que acordei estranha, mas bem, fui trabalhar e durante toda a tarde eu dizia que estava estranha, não tinha posição. Às 18 hora fui à preparação para o parto e pela primeira vez durante toda a gravidez pedi ao meu pai que me levasse em vez de ir a conduzir.
Estendida no colchão a relaxar e depois de ter dito como me sentia à enfermeira, oiço-a ao longe dizer: "Meninas, a Ana hoje não faz os exercícios porque está em trabalho de parto" O quê?? Estava em trabalho de parto, era assim tão claro para a enfermeira e eu não sentia nada? Sorri, senti-me grande, senti que estava a chegar a hora, senti que estava preparada.
A enfermeira Ana no final falou comigo e preparou-me. Havia tempo para voltar a casa, tomar um banho,comer qualquer coisa, avisar o marido que era hoje o dia, e com calma ir até ao hospital ( são 40 km).
Passei no trabalho do papá, avisei que ia até casa e que depois o avisava quando fosse para ir-mos, ficou nervosíssimo.
Sentada no sofá, com um banho tomado, as contracções começaram a chegar, aí já eu estava a perceber  o que se passava. Eram 21h30, o telefone tocou e  do outro lado a minha tia diz-me, sabes que hoje é a lua e é a tua lua, não tinha contado luas, mas sim, era a minha lua, sentia-o e sabia-o.

Na esplanada onde o Paulo já tinha partido 2 pratos a servir de tanto nervoso miudinho eu sentei-me e bebi uma água. Esperei que ele passa-se o serviço, tirei fotos, conversei, confirmei a quem me perguntáva, que sim, estáva na hora e ás 23h saímos para o hospital, com palmas dos clientes, com votos de boa sorte, com palavras de força, todos quiseram participar no momento.

Durante a viagem as contrações ficaram de 4 em 4 minutos, leves mas ritmadas, contadas no relógio do velho fiat uno, que o Paulo conduzia devagar e com todo o cuidado.

Estava uma noite calma, quente, com uma brisa suave. Andávamos de mão dada no jardim, riamos, namorávamos, falávamos com ele, fazíamos festinhas ... estávamos em trabalho de parto, ás voltas no jardim do hospital, queria perlongar e desfrutar do momento. Quando fiquei cansada e as contrações já eram bem fortes decidi entrar. Fui levada para o piso do bloco de partos, sentia-me nervosa mas calma, sentia-me ansiosa mas confiante, ia ser mãe pela primeira vez.

Fui observada, rapada, fiz um clister, respondi a um questionario enfim, procedimentos a mais para quem ia "apenas"  parir um filho.
O Paulo foi chamado e juntos fomos alojados numa sala de partos, os dois sozinhos. A musica estava ligada, deitaram-me na cama, colocaram-me soro e o ctg e ali disseram para eu os chamar quando precisasse, era 1h.

Lembráva-me das palavras sábias da enfermeira Ana na preparação, falámos, rimos, e ainda dormitei e quando acordei não vi o Paulo, não vi porque ele em vez de sentado no banco estáva sentado no chão, onde segundo ele estáva melhor.

As contrações apertaram e quando chegou a primeira das contrações com vontade de fazer força, respirei, respirei como tinha aprendido, como tão bem me tinham ensinado e tocámos a campainha.
Tudo se foi preparando à minha volta, material, pessoal, e quando chegou a hora fiz força, mal e fui repreendida, a enfermeira parteira era uma senhora já  com alguma idade , mas ignorei e corrigi, preferi assim, e de repente as águas rebentam, fui cortada e o meu filho, o meu primeiro filho começou a nascer. 
Ai tanto cabelo - diz o Paulo com uma cara de quem está a ver uma coisa muito estranha!
Vinha com uma circular, parei e dei tempo a cortarem o cordão e perdi a vontade de fazer força, fiquei sem saber o que fazer, afinal era o primeiro filho, mas um enfermeiro ao sinal da enfermeira parteira, injectou, o que hoje sei ser oxitocina, no meu soro e o rapaz nasceu, todo de uma vez! Eram 4h35min do dia 17 de agosto de 2004, faz hoje 7 anos, e nós chorámos de alegria, de emoção, agarrados um ao outro.

Deram-no ao Paulo, já lavado, vestido, enquanto eu era cosida e ele trouxe-o até mim e pude finalmente vê-lo bem, e juntos, os 3 escolhemos o nome para ele. Tiago Miguel, nascido a 17 de Agosto de 2004.
Agradeço à equipa, sei que eram experientes e sei que me senti em boas mãos, achei que me portei bem, achei que se portaram bem comigo, afinal era o meu primeiro filho e aquela equipa tinha-o trazido ao mundo, ou teria sido eu?

Hoje olho para trás e vejo muitas coisas a mais neste parto, vejo muito hospital, muita intervenção, mas também vejo o meu primeiro parto e vejo que correu bem e fui bem acompanhada e fui feliz na sala de parto. Hoje olho para trás e vejo que entre o meu 1ºparto e o meu 4º parto muita coisa mudou felizmente para melhor e que agora o Centro Hospital do Barlavento Algarvio é um hospital amigo dos bebés.







E enquanto escrevi. o crescido Tiago, adormeceu aqui ao meu lado, está num sono profundo, com certeza a sonhar com o dia que teve hoje. Festa, amigos, brincadeiras, bolo. balões...








E eu enquanto escrevi, fechei várias vezes os olhos, de cansada, mas feliz.

Parabéns Tiago!


sexta-feira, 8 de julho de 2011

2 anos

Hoje, agora mesmo, faz 2 anos que a Mãe de todos e o pai Fura bolos viveram mais um dos grandes momentos das suas vidas.

8 . 07 . 2009 - 1h01min nascia o grande João Manuel. Mais um momento cheio de amor vivido a 2, mais um momento em que partilhamos a dor, as lágrimas e os sorrisos. Uma alegria tremenda por estarmos a receber o nosso terceiro filho.






RELATO DO MEU 3º PARTO


Dia 6 era a data prevista para o parto, e como apesar das muitas caminhadas o bebé não dava sinais de querer nascer, no dia 7 logo ás 8h30 da manhã fui ao hospital para fazer o ctg.
O ctg acusou algumas contracções mas nada de especial. Fui depois à consulta com o médico e este fez-me uma ecografia onde estimou o peso do bebé, em 4400g, e viu que ainda não estava encaixado. Então decidiu fazer um toque “malandro”, isto é com descolamento das membranas e disse-me que como era um bebé grande e ainda não estava encaixado que iria demorar 1 dia ou 2 até entrar em trabalho de parto!!
Bem, no regresso a casa (40km do hospital) já eu vinha com algumas moinhas tipo do período e de quando em vez uma contracção. O meu marido disse logo que nessa noite estávamos de volta ao hospital, e não se enganou.
Passei o resto da tarde com contracções, que foram aumentando de intensidade e de frequência. Por volta das 19h30 já estavam de 10 em 10 minutos ou menos, e já o meu marido dizia que tínhamos que ir embora… mas eu ainda achava cedo! Queria estar o máximo de tempo possível em casa. Fomos entregar os filhotes aos meus sogros e ainda tive tempo para comer um pouco de açorda de marisco mas já cheia de contracções!!
Abalamos para o hospital ás 20h30 e as contracções aí já eram de 4 em 4 minutos e fortes!
Chegados ao hospital fomos ao bar para o meu marido beber café e eu uma água, malandro ele bebeu metade da garrafa e deu-me o resto e ainda disse que era a conselho da enf. Ana!!
Passeámos no jardim do hospital até ás 22h!! Cada vez eram mais fortes as contracções. Quando estavam de 2 em 2 minutos, entrei nas urgências. Entrei logo e fui levada para o bloco de partos, a andar, não quis a cadeira de rodas. Feita a 1ª avaliação, estava com 3 dedos de dilatação e em trabalho de parto activo.
Ás 22h55 entrei na sala de partos, onde me deixaram a sós com o meu marido.
Não fui obrigada a deitar-me, liguei a musica e desligámos as luzes do tecto e deixámos apenas uma luz acesa, muito fraca que ilumina a bancada onde vestem os bebés.
Pude ir as vezes que quis á casa de banho que fica ao lado da sala de partos.
Andei pelo quarto, dancei ao som do “Oceano Pacifico” e relaxei sentada no banco que é para o papá se sentar. A cada contracção respirava fundo e fechava os olhos … transportava-me para as aulas de preparação para o parto e ouvia ao fundo a voz da enfermeira Ana que tão bem nos prepara.
Quando me senti cansada e já com contracções muito fortes deitei-me na cama, eram 24h, e passado 2 minutos rebentaram as águas!! Parecia um balão de água a rebentar contra uma parede!!! Saiu tudo de repuxo!!
Nessa altura chamei a auxiliar, que me veio colocar uns lençóis secos, para eu estar confortável.
Só ás 24h15 é que voltei a chamar porque já começava a ter vontade de fazer força. A enfermeira parteira, Ana Sofia, veio fazer um toque e já estava com 8 dedos de dilatação e praticamente pronta. Desta vez consegui agarrar 2 dedos do meu marido e já não larguei mais!! Coitado… ia ficando sem eles!!!
Mandou-me virar de lado (para o lado esquerdo) e só ai é que me colocaram o CTG para ir avaliando o bebé. Disse-me que quando viesse uma contracção já podia ir fazendo força para aliviar, mesmo assim de lado e levantando a perna de cima. Olhei ao relógio eram 24h35m
Foi preparando tudo e entretanto a sala foi ficando mais cheia!! Todos queriam ver o bebé grande a nascer!!
Não acenderam as luzes do tecto (fizeram o parto á media luz)  e ninguém me incomodou. O meu marido ficou do meu lado direito e a enfermeira parteira, Joana, que já me conhecia das outras estadias no CHBA ficou do meu lado esquerdo!!  Foram todos espetaculares. A enfermeira Susana dava-me incentivo.
Comecei a fazer força!! A cabeça custou a passar, mas a parteira Ana Sofia ia incentivando e massajando o perineo para ajudar. Depois vieram os ombros, e mais força!!! Ainda disse uma vez que não era capaz mas todos me deram apoio e força e eu enchi-me de ar e força e fiz o meu filho nascer!!!
Era 1h01m do dia 8.
Confirmou-se … a enfermeira Ana tem razão, desde o momento de ter vontade de fazer força (8 dedos de dilatação) até á expulsão são apenas 30 minutinhos, e se nos portarmos bem é um instantinho!!
Foi muito bonito!! Puseram-no logo em cima de mim e eu pude relaxar e sentir o prazer de ter o meu filho nos braços!!!
Todos faziam apostas com o peso dele!! Foram momentos divertidos e inesquecíveis!
Levei apenas 3 ou 4 pontos, devido a uma laceração. No recobro o meu bebé foi logo posto ao peito e mamou, tinha 30min de vida!!

Todo o trabalho de parto foi feito em casa e no jardim do hospital, na sala de partos estive apenas 2h, perfeito!!!

Apesar de ser o 3º e já saber como era, mais uma vez conseguiu ser um parto único e diferente dos outros.

Espero que apesar de longo o meu testemunho possa ajudar as mamãs que esperam por este momento.

Mais uma vez

        OBRIGADA A TODA A EQUIPA


Ana e Paulo Custódio
e rebentos Tiago (17/08/2004) , Teresa (13/09/2007) e João (8/07/2009)
todos bebés CHBA





Quando alguma coisa corre mal todos sabem reclamar mas quando corre bem a maioria esquece-se de agradecer e acha que não foi mais que a obrigação!



Nós, a Mãe de todos e o pai Fura bolos não pensamos assim, esta foi a carta que enviámos ao Hospital onde os nossos filhos têm nascido.
Ficou na memória de quem lá esteve, de quem nos ajudou a receber o nosso filho, ficou na memoria dos profissionais como tendo sido um parto lindo, um momento de amor e ficou na memoria o nosso agradecimento, são gestos como este que vão mudando mentalidades, maneiras de proceder, maneiras de ajudar uma familia a crescer e éstá ao alcance de todos faze-lo.



O João já corre, já salta, já come sozinho, já se suja sozinho, já não usa chucha, já dorme na cama grande, já canta shakira, já quer fazer conversas, já faz grandes birras, já dá muitos beijinhos dos pequeninos e dos grandes.

Já pesa 15kg, já mede 91cm já tem 2 anos, PARABÉNS filhote lindo.




fotos de João Pico