quarta-feira, 20 de junho de 2012

Cistus ladanifer

Ora que estranheza é essa? É um nome como outro qualquer!
Quer dizer, os apaixonados para a vida e já separados Djalo e Lucy podem pôr Lyonce Viiktórya e Lyannii Viiktórya (confesso que fiz copy paste de um site porque nunca conseguiria escrever estes nomes sem os estar a ver!) e nós não podíamos ter uma Cistus Ladanifer???
Mas quem é que manda afinal?
Claro que podíamos e tanto podíamos que pudemos!

6 da manhã toca o despertador, tudo a pé, pequenos, médios e grandes, reboliço, veste, come, lava dentes, faz birra, procura sapato, casacos que está frio, e às 7h15 está tudo no carro sentado e excitado! (Ainda assim 1h15 minutos não é mau para acordar e sair de casa com uma família de 6 elementos, pois não? )

Uns adormeceram, outros cantaram, outros riram com a Mixórdia de Temáticas da Comercial , e estrada fora lá fomos.

Ainda não eram 8h30 da manhã e já nós estávamos em frente ao tribunal de Odemira, CALMA, ninguém foi a tribunal nenhum! Era só o ponto de encontro.

Quando de caixa na mão a Fátima veio ter connosco o espanto e alegria tomou conta de nós, lá estava a nossa menina, pequenina, cheia de pintas, focinho mimoso e olhinhos meigos.







Pois que isto do desaparecimento da Beka foi marcante para a família e então o pai Fura Bolos não descansou enquanto não encontrou outra menina pintadinha, não para substituir mas para nos ajudar a superar e manter a esperança de um dia ainda podermos encontrar a nossa Beka.

E tudo de volta ao carro, lugares ocupados, caixa da cachorrinha aos pés, e caminho de volta.

Foi consenso desta vez que o nome estava a cargo da Mãe de Todos para evitar nomes piegas, brejeiros, pirosos e afins. Depois de muito pensar e repensar, olhando a paisagem, pois que mais poderia eu chamar a uma menina alentejana que vai ser criada no Algarve se não Cistus ladanifer?

Pronto, como os miúdos (e nós já agora) custavam a dizer Cistus ladanifer, optamos por usar o nome comum e assim ficou baptizada a nossa Estêva!

ps.: será que o Vasco Palmeirim era moço para fazer uma música para a nossa Cistus ladanifer?

Foto de autoria da Ana
http://olhares.aeiou.pt/galeriasprivadas/browse.php?user_id=106719&p=3


A esteva (Cistus ladanifer) é uma espécie de planta com flores da família Cistaceae. (Nome comum: Esteva; Estêva; Ládano; Lábdano; Roselha; Xara).

sexta-feira, 15 de junho de 2012

A vida da aldeia é calma... mas dava um filme!

Aqui vive-se, trabalha-se, estuda-se, convive-se ... enfim, há uma vida na aldeia e por ser aldeia nem por isso é calma.

Já houve quem dissesse que trabalhar em casa e vender o meu trabalho através da internet me poderia isolar, fazer com que não convivesse, tirar-me a oportunidade de falar e ver gente ... pois desengane-se quem pensa assim.

De manhã até às 10h há a rotina de pequeno almoço em família, levar os miúdos à escola, deixar outros nas avós, beber um café com o pai Fura Bolos, falar com quem está a essa hora no café, comentar a aldeia e o que se vai passando.
Outros dias há em que a manhã até às 10h se prolonga até às 12h ou 13h, tudo depende de festas de escola, compras, reuniões, vacinas, consultas ...
Enquanto trabalho das 10h às 13h30, ainda vai havendo tempo para internet, conversar com o marido, fazer alguma coisa cá em casa...

Depois há a hora de almoço, normalmente fora de casa, com os sogros, filhos e quem mais por lá estiver. Cafézinho e casa e trabalho novamente.

Ora esta parte da tarde às vezes é ainda mais complicada que a manhã.

Sentava-me eu uma tarde destas à máquina já "atrasada" para o meu trabalho, quando toca o telefone. Da junta de freguesia ligavam-me porque precisavam de ajuda. Uma senhora que lá estava a falar inglês que ninguém percebia ao certo o que ela queria.
Lá me levanto, pensando pronto, lá se vai mais uma hora de trabalho.

A senhora com ar asiático, muito sorridente, não queria mais do que saber como fazia para colocar as cinzas do falecido marido no cemitério aqui da aldeia. Explicada a situação, fim de conversa, eis que ela me quer pagar um café para agradecer a ajuda prestada... recuso, digo que tenho mesmo que voltar para casa para trabalhar.

- Ah, então trabalha em casa, e faz o quê?
- Costura.
E antes que eu tivesse tempo para explicar que tipo de costura, já ela me estava a dizer que me havia de trazer um par de calças de pijama para colocar um elástico novo!
Entrego-lhe um cartão meu e esqueço o assunto, volto para as costuras.

Há 3 dias toca o telefone, à noite, na hora da confusão de idas para a cama e choros.
Para inicio de conversa, não percebia conversa nenhuma, até que percebi quem era e o que queria.
Não, não queria marcar hora para lhe arranjar as benditas calças de pijama, mas sim convidar-me para jantar depois da cerimónia de bênção das cinzas do falecido marido. Marcada a hora e local disse que iria aparecer mas com certeza não teria tempo para jantar, ficaria-me por uma bebida.

19h do dia marcado, meia hora atrasada, entro no restaurante à espera de encontrar uma mesa de estrangeiros e gente desconhecida ... e afinal ao olhar com mais atenção vejo, nada mais nada menos que o painel de senhoras da aldeia que costumam frequentar a igreja! Tirando elas só 3 pessoas estrangeiras e o padre da paróquia!

Alegre conversa, ora em inglês ora em português, vinho nos copos, entrada, prato principal e sobremesa, e pelo meio perguntas:

- Ana, como se chama a sra?
- Olhe, nem sei! (e era verdade, nem o nome da viúva eu sabia, quanto mais o nome do morto, ou do que teria morrido!)

- Ana, já és amiga da senhora há muito tempo?
- Eu? (risos) Não! Mais ao nada tinha-a conhecido hoje!!



Aqui já faltavam alguns dos mais ilustres convidados, o senhor padre e algumas senhoras.

Estão a ver aquelas cenas de filme, em que há um que entra no casamento ou funeral errado e não sabe nada sobre quem ali está? Ora sem tirar nem pôr, com a diferença que aqui não era 1 mas uma mesa inteira de gente que não fazia ideia do que estava ali a fazer! Foram todas convidadas na igreja, 1 semana antes a viúva foi marcar a cerimónia e convidou quem lá estava... e claro que educadamente ninguém faltou, afinal era um jantar importante e no restaurante!

Comida e bebida e ao voltar a pé para casa o riso era inevitável... sentia-me saída de uma cena insólita, escrita por alguém para uma qualquer comédia e eu era apenas mais uma personagem perdida na cena...

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Beka!! Onde estás?

Faz hoje duas semanas que a nossa Beka nos foi levada!!!




Desde já quero agradecer a prontidão com que todos partilharam e que de alguma forma tentaram ajudar!

 Nos cerca de três meses que esteve connosco a Beka conseguiu conquistar o seu lugar no seio da nossa família e conquistou desde cedo o coração de miúdos e graúdos,quer pela sua graciosidade, pela alegria das suas brincadeiras, pela obediência, e até mesmo pela sua capacidade de aprendizagem... é pois com profunda triste...za que vemos os dias passarem sem sinal dela, e a cada pista que se mostra infrutífera apaga-se mais um pouco a esperança de voltar a vê-la!

 A Beka terá sempre o seu lugar nossa família, e iremos continuar à procura, mas tem sido muito difícil para os miúdos lidarem com o seu desaparecimento... perguntam constantemente quando é que ela vai voltar... a pensar nisso estamos a considerar a possibilidade de adquirir outra cachorrinha Dalmata!
Se alguém tiver uma cachorrinha com características idênticas ás da Beka, que queira doar ou vender por um valor que esteja dentro das nossas possibilidades por favor contacte: 963528055 / 962467868 ou familia.r.custodio@gmail.com

E hoje é isto...

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Fim de dia de trabalho


Quando um dia de trabalho acaba assim então posso dizer que consegui alcançar a tão falada qualidade de vida! 

Com 4 filhos sempre disse que trabalhar a partir de casa era a melhor opção para mim, mas a fazer o quê era a questão. As costuras, mesmo sem perceber nada de costura, foram a opção tomada e agora já não há volta a dar.

Tenho horário (com flexibilidade total, mas tento cumprir), tenho tempo para almoçar com a família e os mais pequeninos que ficam umas vezes na avó outras andam a tratar da horta com o pai, sim porque ficarem em casa comigo é sinal de não me deixarem fazer nada, não preciso de farda, o que em dias de calor é um ponto muito positivo para a qualidade das condições de trabalho, posso ir levar e buscar os mais velhos à escola, posso beber um café com os amigos antes de começar a trabalhar, não tenho que correr para apanhar nenhum transporte, nem gasto gasolina, e ainda acabo o dia de trabalho assim, feliz com a minha decisão.





Hoje foi assim, das 10h - 13h , com uma ida  ao super mercado aqui da aldeia, pelo meio, comprar t-shirts a 1€ boas para eu trabalhar em casa, não se podem desperdiçar boas oportunidades, e das 14h-17h30. Depois foi hora de ir buscar os miúdos e surgiu a hipótese de parar na praia.

Uns de cuecas, outra com o fato de banho molhado que tinha levado à natação com a escolinha esta manhã, outra de fralda... uma única toalha, sem brinquedos ... mas com protector solar, e muita vontade de brincar.

O mar estava como se vê nas fotos, lindo, o calor, mesmo que já fossem 18h30, ainda era muito mas agradável, os pés enterrados na areia molhada, a olhar para eles e para o mar fez-me dar valor ao que tenho e ao que quero construir a partir daqui.

Quem às 18h30 estava numa fila de transito, tem que me desculpar por este post, mas eu não podia deixar de o escrever. a minha escolha foi esta e está cada vez a fazer mais sentido.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Ideia parva muito boa!

Ás vezes temos ideias.

Ora a Mãe de Todos com isto das costuras andava ocupadita, ganhava uns troquitos (poucos), punha a imaginação a trabalhar, convivia com as vizinhas para acertar "agulhas" mas achou que era pouco.
Não, não sou muito ambiciosa, mas ainda assim achava que isto das costuras tinha mais potencial que não estava a ser aproveitado e vai daí, um dia sentada no sofá escrevi um e-mail. E para onde foi este e-mail? Pois, aí reside a loucura toda, foi para um programa de televisão, daqueles do horário da tarde que normalmente querem lá gente a choramingar ou grandes feitos para ter audiências.

Bem, eu choramingar até sei, mas não em publico para milhões verem ... como também ainda não dei nenhuma volta ao mundo de canoa, achei que às tantas as minhas costuras valiam o que valiam e davam um bom momento de televisão, e não é que a produção do programa também achou?

O espanto, o nervosismo (que já nem podia ouvir a apresentadora desse programa a falar que até tremia) durante uma semana, costurei, costurei em contra relógio para ter o que mostrar na televisão, ai jesus ... eu ia à televisão!

Fiz Mimalhos, fiz t-shirts, pedi Mimalhos emprestados (aqueles que já tinha oferecido a lindas meninas) enfim, preparei um saco de trabalhos, a nata da nata, o que iria ser o meu melhor cartaz publicitário, não podia levar qualquer trapinho para a televisão (ai jesus, outra vez a televisão!)
Depois fiz publicidade, sim muita publicidade, e não foi por vaidade de ir à televisão, nem foi por protagonismo vazio, mas sim por estratégia, ora se ia aparecer na televisão com os meus trabalhos, havia que aproveitar ao máximo os 15 minutos de fama que me iam conceder!
Foram panfletos nas mochilas dos meninos do Jardim de Infância da minha filha (sempre eram mais 25 famílias a ver), foi avisos para o lar de idosos onde está a avó Gina para não perderem, foram telefonemas, grandes banners no facebook (que para estas coisas funciona muito bem), conversas de café (passa a palavra e não percas o programa) e mais não foi porque não houve tempo!

Pronto, isto passou, foi uma semana de correria e depois veio a viagem, a mãe da Mãe de Todos também foi, mais nervosa que eu, claro está, afinal a "minha filha vai aparecer na televisão" é um acontecimento importante!

Pó de arroz, bâton, cabelo esticado e uma camisola nova, mal escolhida porque me fez parecer bem mais gorda... ou será mesmo o que dizem da televisão, que engorda 5kg?, e luzes e microfone, e estava na hora.

Nervosa, sorriso bloqueado, boca entreaberta (seria do bâton?) conversa calma, risota do publico, como tudo começou (vá lá que não fomos tão atrás, "então Ana diga lá a que horas nasceu?" ), mostra dos artigos e como são feitos, palmas, parabéns, boa sorte e até um dia...

Pontos negativos: não disse o nome da aldeia, a aldeia que me acolheu BUDENS  é a aldeia, e as vizinhas estão magoadas e com razão!

Pontos positivos : encomendas, muitas, elogios ao meu trabalho e esperança que devagar poderei ajudar a minha família a atravessar esta crise que por aí anda, trazida pela troika!

No dia em que enviei o e-mail ri-me, no dia em que me responderam fartei-me de rir, no dia do programa sorri, e agora de volta a casa e à máquina de costura sorriu todos os dias e agradeço por ter trabalho!



Se calhar foi uma ideia parva ... mas foi uma ideia parva muito boa!

Só falta dizer que foi na TVI - "A tarde é sua" com a apresentadora Fátima Lopes, e fomos muito bem tratadas!