domingo, 20 de novembro de 2011

Andar nas nuvens!

Com todos no carro, com tempo frio e quase de chuva não havia grande coisa para fazer, mas há sempre qualquer coisa.

O Tiago de repente grita e diz

"olha ali, parece um elefante! Aquela nuvem mãe, parece um elefante"

Logo não vi nada, mas quando puxo por ele e peço para me descrever aí vejo o mesmo elefante que ele... ou será que era outro. Uma nuvem está sempre em mudança, está sempre a mudar de forma de tamanho, mas por segundos ele, o elefante estava lá e eu fotografei-o, qual fotografa do National Geografic!

A Teresa percebeu do que falávamos e foi ela a seguinte a gritar entusiasmada:

"Ali, aquela é um três, o numero três mãe, não vês?"

Sim claro que via! A imaginação leva-nos onde queremos ir e a dos miúdos é muito fértil e saudável!

E foi assim durante o percurso de volta a casa, com várias paragens para fotografar nuvens que pareciam coisas, coisas que cada um queria ver, ou que imaginava, ou que tinha a certeza que era mesmo!

Depois disto lembrei-me que vi um dia num blog, lamento não saber o nome, umas fotos que alguém publicou com nuvens fotografadas e desenhadas por cima.  E que grande ideia!

Computador ligado, 3 miúdos de roda dele a lutarem pelo melhor lugar, pela melhor posição de acesso ao teclado, eu também quero fazer" o três é meu!" "sim mas agora é a cara e fui eu que a vi!" e deu para todos, até para a Mãe de todos andar nas nuvens.


Desatento, despreocupado, com o pensamento longe, imaginando coisas. (literalmente imaginando coisas!)


A Mãe de todos desenhou o elefante imaginado pelo Tiago.



 A Teresa desenhou o 3 que viu no céu.




O João pediu um memé e ajudou a pinta-lo.




O Tiago desenhou um dinossauro para o João.



E na mesma nuvem a Mãe de todos e o Tiago viram 2 caras, bem diferentes!

O Tiago viu esta:




E a Mãe de todos viu esta:





Um passatempo de imaginação muito bom, fácil e barato! E enquanto andamos de cabeça nas nuvens andamos mais felizes!

domingo, 13 de novembro de 2011

Upcycling

Upcycling é o processo de transformar resíduos ou produtos inúteis e descartáveis em novos materiais ou produtos de maior valor, uso ou qualidade. Utiliza materiais no fim de vida útil na mesma forma que ele está no lixo para dar uma nova utilidade. Ao contrário da reciclagem, que usa energia para destruir a forma e então transformar em algo novo.

E a Mãe de todos muito por culpa da crise mas não só, porque também tem muita coisa cá em casa que já parecia não servir para nada, ou que já teve melhores dias, ou que já esteve mais na moda, ou porque simplesmente olha para uma coisa e imagina outra resolveu fazer algumas experiências.

A amiga Ângela deu-me uns tecidos que já não queria, no meio deles vinham umas fronhas de almofada.




A avó Gina já não vestia esta linda camiseira há uns anos ...




A  Mãe de todos sentou-se à máquina de costura e criou estas almofadas decorativas para a sala.






E depois disto tudo, faltava uma coisa, faltava que a sala tivesse alguma coisa a ver com a cor das almofadas e como não tinha, o Pai Fura bolos tratou do assunto e pintou uma parede!





Ás vezes um pequeno pormenor, como um bocado de tecido, pode fazer a diferença, isso e ter amigas...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

E entretanto ficou por dizer...

o que é uma Doula!



Texto de Carla Guiomar, Doula

Uma doula é geralmente uma mulher com experiência de maternidade, que está ao lado da mãe durante o seu parto, ajudando-a a sentir-se segura de modo a que ela consiga mais facilmente dar à luz.
Geralmente, a doula conhece a futura mãe durante a gravidez, estabelecendo-se entre elas uma relação de empatia e confiança, importante para o acompanhamento do parto que acontecerá mais tarde. Ao longo da gravidez, a doula ouve os pais acerca dos seus anseios, expectativas e desejos relativamente ao parto, ajuda a esclarecer dúvidas, orienta na busca de informação de qualidade, e sobretudo transmite confiança e tranquilidade no processo do parto à mulher e ao seu companheiro.

Durante o trabalho de parto, a doula está com a mãe, mantendo uma presença discreta, tranquilizadora e criando uma esfera de protecção à sua volta, assegurando a satisfação das suas necessidades básicas, privacidade, segurança, luz atenuada, redução do uso de linguagem e conforto térmico, favorecendo assim o bom desenrolar do trabalho de parto fisiológico.

No hospital, a doula é um recurso particularmente precioso pois aí o pessoal médico não tem disponibilidade para prestar assistência personalizada, e o pai muitas vezes não se sente verdadeiramente confortável por estar ao lado da mãe, nem sabe como ajudar e pode pôr a mãe mais nervosa. O homem também liberta facilmente adrenalina que é contra-producente à progressão do trabalho de parto da sua mulher. Mas é importante esclarecer que a doula não pretende ser uma substituta do pai. Cada um tem o seu papel. Ela transmite tranquilidade também ao pai, podendo ajudá-lo a prestar um melhor apoio à sua companheira, ou sentir-se à vontade para se afastar e descansar um pouco, por exemplo. A mãe assim pode relaxar, sabendo que não está a colocar essa pressão sobre o pai de a acompanhar em todo o processo. A doula constitui um apoio não só à mãe como ao casal, sendo que o seu objectivo é sempre criar um ambiente harmonioso à volta da mãe, e reduzir a sua ansiedade, pois é isso que facilitará o trabalho de parto. A doula funciona também como uma interface entre a mãe e o pessoal hospitalar, defendendo os seus interesses e desejos quanto ao seu parto.

O apoio da doula continua no pós-parto, através de algumas visitas à mãe, preparando um chá ou uma refeição, ou até auxiliando em pequenas tarefas domésticas que permitam à mãe passar mais e melhor tempo com o seu bebé nos primeiros dias. Noutros países existem as doulas de pós-parto especializadas neste tipo de assistência.

A doula é nos dias de hoje uma profissional da humanização do parto, que vê o parto como um evento normal e pleno de significado na vida das mulheres, e o compreende como um processo fisiológico, que não pode ser desligado das dimensões física, psicológica, sexual, afectiva e espiritual do ser feminino.


Doulas são amortecedores afectivos. Funcionam para proteger as pacientes das inúmeras provas, dúvidas, angústias, às quais ela é submetida durante o nascimento de uma criança. (…) O nascimento humano provoca uma gama de sentimentos que normalmente não experimentamos no nosso dia-a-dia. É um momento muito mágico e muito poderoso. Por isso, as pessoas que estão presentes neste momento, são imanadas de uma energia muito especial, que impregna seus corpos e almas com uma luminosidade lilás e brilhante. As doulas, mulheres como as parturientes, são abençoadas com a dádiva da cumplicidade, e recebem como prémio a gratidão eterna.
Dr. Ricardo Herbert Jones,
obstetra brasileiro e coordenador da Rede para a Humanização do Nascimento (ReHuNa) no Brasil.



E eu acrescento, Doulas são mulheres como as que eu conheci, com sorrisos sinceros, genuínos, espontâneos, como estes







E afinal o que é uma Doula?

"Já ouvi esse termo!"
"Vê lá onde te metes"


Mas como ouvir o termo só não chega ... na cabeça da Mãe de todos a ideia de ser uma Doula já estava a crescer há tempos.
"Mas diz-me lá, dói muito?"
"Olha e como foi, levaste epidural?"
"Ai que a minha irmã está lá (hospital) sozinha e precisa que liguem para lá para saber o que se passa..."
"E sabes se deixam o marido entrar?"
"E..."
"Mas..."
Então a Mãe de todos percebeu que ter experiência de 4 gravidezes, 4 partos, 4 pós partos, enfim ter 4 filhos isso só por sim não chega para responder ao que muitas vezes me perguntam.


Aninhadas nos pufs, ou sentadas em almofadas, ou deitadas em colchões, confortáveis, quentinhas, foi assim que nos conhecemos, foi assim que cada uma disse de onde veio, ao que veio e porque veio, e éramos todas tão diferentes e no entanto todas unidas no mesmo desejo de saber mais, de aprender mais.



E lá foi a Mãe de todos nesta viagem, guiada por quem já a fez, por quem sabe o que faz, por quem quer partilhar o que sabe, a  Carla Silveira e a Ana Raposeira e a quem se juntou a Carla Guiomar .
Foram dias de muita emoção, muita informação, muita partilha, muitas gargalhadas (ou não fosse um grupo de mulheres), muitas lágrimas (ou não fosse um grupo de mulheres) e muito enrequecimento, muita descoberta e muito crescimento pessoal.


Os momentos de pausa foram também momentos de brincadeiras, conversas, comentarios, descobertas de novos sabores, sempre com boa disposição.



Se havia alguma duvida de que a Mãe de todos deveria ter ido a esta formação essa duvida desapareceu com o passar dos dias, ao longo das conversas, com os sorrisos, com os olhares cumplices, com os abraços apertados, com o calor humano, calor de mulheres.


Agora a Mãe de todos tem um novo caminho por onde ir, um caminho que foi descoberto e agora dá vontade de andar por ele sem parar, sempre na busca de mais conhecimento, sempre em busca de mais informação, muitos livros para ler, muitos filmes para ver, muitas ideias para trocar...

E sim, a Mãe de todos às vezes também precisa de miminhos...

domingo, 16 de outubro de 2011

Uma senhora que entra sem ser convidada.

Visitas indesejadas.

Como é normal as senhoras donas Viroses (sim que trato-as com respeito) aparecem quando menos se espera, ou melhor quando já estamos à espera porque  A B ou C já teve ou está com ela agora e por isso podemos prever que vai andando e chega cá.

Há dias chegou ao Tiago, passou.
Na quinta-feira mandou a Mãe de todos à cama, passou-lhe tal rasteira que não havia maneira de estar de pé.
Na mesma quinta-feira piscou o olho à Teresa e fe-la vomitar uma vez, em pleno Museu de Lagos, e ficamos sem saber se era da senhora Virose ou das voltas que o autocarro da escolinha deu para lá chegar.
A pequenita Julieta vomitou  2 vezes nesse mesmo dia, mas como tem a sorte de estar a ser amamentada, e como tudo o que a Mãe de todos combate a pequenina ganha em anti corpos, a Mãe de todos lá ficou fraquinha, mas produziu leitinho suficiente para proteger a sua cria mais nova.
O Pai Fura bolos anda embrulhado, termo utilizado para definir o mal estar de estômago e cabeça que a senhora Virose provoca, mas não que não quisesse, mas porque não consegue, não chegou a vomitar.


E quando tudo fazia prever que o João, o matulão tinha trocado as voltas à Dona Virose, não é que ela apanhou-o desprevenido e ele não teve tempo de reagir. Tadinho, ficou branco, amarelo, sem expressão, fraco, sem força nas pernas, sem beber, sem comer e só a vomitar, e depois de todas as tentativas caseiras para ele arrebitar falharem, lá tivemos que ir ao hospital com toda a logística que isso implica.
A Mãe de todos foi com o pequenote e por lá ficámos, toda a noite. O João foi internado porque estava desidratado.



Ele teve direito a uma caminha, a Mãe de todos ficou-se por uma poltrona e um lençol. Havia mais um menino no quarto e a sua mãe, por sinal também mãe de 4 filhos, lá estava bem deitada na sua poltrona (tinha um edredon dela e tudo) mas a Mãe de todos por desconhecer estes ambientes, ignorância que não me importava de continuar a ter, ficou sentada, toda a noite, sentada e a pensar que talvez a sua poltrona fosse diferente ou estivesse avariada... Mas com a chegada da manhã, as ideias ficaram mais claras e afinal foi falta de jeito e força na alavanca... e tal como a outra mãe eu poderia perfeitamente ter dormido deitada.
Mas equipamentos à parte.

O João dormiu calmamente enquanto a Mãe de todos sentada na sua poltrona o vigiava e pensava nele mas também nos outros 3 que deixara em casa. Como seria a Julieta uma noite inteira sem a mãe e sem a mama? E mais pensava mais leitinho sentia a produzir, e o coração da Mãe de todos fica sempre mais apertadinho com estes pensamentos.



O almoço foi um verdadeiro teste a um estômago que estava fraco, se comeu e não vomitou, então estava curado! Devo dizer que normalmente acho a comida do CHBA boa, mas hoje estiveram em dia não.

O João dormiu bem, tomou o pequeno almoço, brincou muito, almoçou e ao inicio da tarde teve alta.





E no caminho de casa ao olhar pelo espelho e vê-lo a dormir tão calmamente, apesar de muito cansada, estava mais descansada.

PS. A agradecer a todo o pessoal da urgência pediátrica do CHBA, senti-me acarinhada por todos e mais ainda senti que trataram muito bem do meu menino.