quarta-feira, 8 de abril de 2015

Partir o folar

E já agora comer mais qualquer coisinha!

Pois que na Páscoa é ideia estar em família e o que há de melhor para fazer em família senão comer?

O Pai Fura Bolos matou um leitão, amassou pão, amassou folares, levantou-se cedo e com ajuda dos rapazes e do compadre Carlos, assou o leitão e cozeu o pão e o folar.

A tradição diz que na 2ª feira de Páscoa se parte o folar e como somos pelas tradições, principalmente se envolverem encher bem a barriga e estar com amigos e família, nós cumprimos.

O leitão assado do Pai Fura Bolos está cada vez melhor, o moço está a ficar pró nisto e a malta agradece, tirando a Teresa que anda numa de dizer que não gosta de porco.


E almoço que é almoço, pede uma mesa comprida cheia de sorrisos, conversas, graúdos e miúdos.
Uma mesa de gente boa.




E os reis do dia, os folares, os culpados de neste dia sermos obrigados a comer bem e passar um bom bocado!
Ele há cada tradição mais chata!


terça-feira, 7 de abril de 2015

Silêncio ensurdecedor

Cheguei a um café, na mesa da esplanada 4 rapazes, já homens, todos de barbas e muitos piercings, sentados, 4 amigos digo eu, e cada um concentrado no  seu telemóvel.



Um silêncio ensurdecedor que me fez doer os ouvidos ao passar.



É isto!






quinta-feira, 2 de abril de 2015

Até parecia Domingo!

E se de repente formos fazer um piquenique? 
Preparamos tudo sem os miúdos saberem, eles estavam todos nas avós há 2 dias, tirando o Zé, e esta manhã quando os fomos buscas já levávamos o farnel aviado.

Eu queria ir visitar umas amigas que estão na zona de Odeceixe em formação e para não ir sozinha, juntámos o útil ao agradável e assim até perecia que era Domingo. 








E é tão bom quando sem querer encontramos sítios assim. Sem pretensão de melhor área de piquenique foi o local perfeito. Que mais podem 5 miúdos querer que um almoço à beira do riacho!


quarta-feira, 1 de abril de 2015

Aviso: Este post contém linguagem obscena

- Olha mãe, é uma fodidinha!! 

- A. queres vir brincar no fodão?

- O pai hoje tá de foda.

Eu avisei! 

Era assim que o Tiago falava por volta dos 3 anos. Podia trocar quaisquer letras, mas o que fez ele? Trocou logo o D pelo G, e nós entre risos lá íamos corando quando ele dizia destas coisas em locais públicos.
Por volta dos 5 anos ainda trocava o T pelo C, não era tão grave como a outra troca. Era apenas o tarro em vez de carro.
Hoje tem 10 anos, é muito bom aluno a Português e continua a dizer "proglema" mas escreve sem problema, 

A Teresa com os 4-5 anos também tinha umas muito boas. Esta história mostra isso mesmo. O r fraco, o lh ... e ainda mais outras tantas, e hoje com 7 anos fala bem, ainda dá uns toques nos lhs mas é muito boa aluna a português. 

Agora temos o João com 5 anos. Aos 5 anos agora os meninos são avaliados no infantário por uma equipa de terapeutas para despistar problemas da fala, de comportamento, relacionais e outros. A avaliação é de cariz facultativa, mas nós aceitamos que o João fosse avaliado.
Nós sabemos que o João não diz o r bem, nós também sabemos que o lh nem sempre é bem pronunciado.

Claro está que a terapeuta detectou, e bem isso, mas o caminho era logo a terapia da fala. Como temos o exemplo da Teresa e do Tiago, que porque não foram sujeitos avaliação, também nunca foram indicados para terapia e sozinhos, connosco e com a educadora ultrapassaram esses "defeitos", nós porque já temos essas experiências, questionamos. 

Já foi muito pensado cá em casa, já foi muito falado no infantário, já pensamos que sim e já pensamos que não e agora decidimos. Com a ajuda de uma amiga que nos indicou este livro, fizemos a opção, por agora, de como pais assumirmos nós as rédeas desta questão. 
Por alguma razão sou mãe a tempo inteiro, sou mãe que fica em casa e tenho tempo e por isso podemos optar.




O gato não comeu a língua ao João, o João simplesmente precisa de tempo tal como os irmãos precisaram, e de cantar, rimar, rir e falar muito, connosco, com os manos, com os colegas, com os vizinhos e daqui a uns tempos tenho a certeza que vamos ter saudades destas conversas:

ele - oh mãe, isto é pouco
eu, aflita a servir os outros todos - João, não é nada pouco
ele - mas, mãe, é pouco?
eu já a soprar - oh João, não tens que ter medo, comes esse e depois há aqui mais se quiseres. ( o João é muito comilão e daí a minha observação)
ele- não mãe, é pouco? - já desesperado e quase a chorar

Ai, já com os pratos todos servidos, só aí, quando olhei mesmo para ele é que percebi, o João só queria saber se a carne que tinha no prato era de porco! Tive que abraçar o João, pedir-lhe desculpa mas também tive que rir!

Hoje chegou o livro cá a casa e só de folhear por alto já deu para perceber que o João é "normal" e com algum tempo nosso vai rapidamente ultrapassar estas falhas na fala.

*******Tradução das frases do Tiago
- Olha mãe, é uma formiguinha!! 

- A. queres vir brincar no fogão?

- O pai hoje tá de folga. 
                                           ********

As papas

"Isso é para os pintainhos!"

A avó Gina não está muito bem.
Fiz-lhe uma visita há dias, os meninos e o pai Fura Bolos ficaram a passear na rua enquanto eu lá fui num saltinho.
Está parada, longe, pensativa ou simplesmente ali.
A conversa foi curta, pouca coisa há a dizer, de pouca coisa ela se lembra ou fala.

Eu era a Margarida, o que não é totalmente errado já que me chamo Ana Margarida, mas sei bem que para ela eu era a Margarida, que é a filha, a minha mãe. Os meus meninos eram 4, safou-se o  Pai Fura Bolos que era mesmo o Paulo.

Entretanto para cortar o silêncio disse-lhe que o mais pequenino, o Zé, já comia comida.
- Olha avó, sabes do que o Zé gosta?
-  Não
- Vê lá se adivinhas, uma coisa que eu em pequenina nunca queria.
- Papas.

E com isto disse tanto! As papas de milho que a avó Gina queria sempre fazer para mim, isto há pelo menos uns 37 anos e eu dizia que não gostava porque era a comida dos pintainhos.
Na altura a avó Gina tinha galinhas e dava-lhes farelo e farinhas e claro está, eu com os meus 2 anos achava que as papas de milho que ela fazia eram a mesma coisa.

- E como as fazias, avó? Para eu fazer iguais para o Zé.
A resposta demorou, foi atabalhoada, difícil de perceber, mas estava lá tudo.
- Cozia em água, depois punha uma gotinha de leite e um bocadinho de açúcar.

Pronto, fico com a receita guardada na memória e prometo um dia destes fazer iguais, ou pelo menos tentar.
Para já o Zé come as papas de milho feitas em caldo de vegetais e ervas aromáticas, e os outros comem papas de milho de peixe.